Ali naquele lugar transbordava ancestralidade, desde as roupas que a maioria das pessoas usavam, até o ambiente decorado com o que foi o nosso passado. Ali naquele lugar, vendo tanta gente falar com orgulho, vendo tanta gente que se encontrou fugindo de uma alienação epidemiológica que se alastra pelo país, vendo tantas pessoas lindas sorrindo e declamando, cantando, senhoras, jovens, crianças. Meu sorriso era espontâneo e difícil de ser contido, eu fico feliz nesses lugares. Meu cérebro despeja toda serotonina possível, eu fico chapado, brisado de cultura. Ali naquele lugar, onde a nossa fala é forte, e nos ensina e ensina aqueles que não sabem o que é sermos nós, não sabem como o pente enrosca firme em nosso cabelo sempre que vamos penteá-lo, não sabem como as câmeras de celulares não são criadas para o nosso tom de pele e muito menos os filtros (caso você saiba algum, por favor, me indique), que não sabem como é se preocupar bem menos com as queimaduras do sol, não sabem como é...
Nesse vai vem de informações, que nutrem e desnutrem o nosso cérebro, veio no embarque da necessidade angustiante de representatividade uma senhora inspiração, Conceição Evaristo. Sua primeira publicação foi no inicio dos anos 90. E como, me digam como!!! Como eu não conhecia essa mulher!? Essa é uma indagação que ficará para um outro texto. Pois bem, Evaristo apareceu na minha vida, li varias de suas poesias e fiquei encantado com as suas palavras. No final do ano ganhei um livro de sua autoria publicada pela editora Pallas. Olhos d'água é um livro que aborda a violência contra a mulher, o racismo, o preconceito social entre vários outros temas tão falados mas ainda tão incompreendidos nos dias atuais. São o total de quinze contos que refle tem sobre a pobreza, a miséria, a desigualdade social, a violência e a vida de mulheres, negras, faveladas e outras diversas personagens envolvidas nesses contextos. O livro dá voz a uma multidão sempre silenciada. Uma mul...